“Thor” – …uma espécie de FMI para o nosso QI
CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar a urinar lâminas de barbear enquanto me lapidam com cópias do livro “Um Homem Invulgar” da Felícia Cabrita e o Paulo Futre me conta anedotas de chineses. Isto tudo num dia de chuva ácida, claro. Fiquem sabendo que o verão não chega com o calor – e as camisolas de alças no metro, as sandálias com cheiro a chulé nos autocarros ou a gritaria com sotaque francês nas praias portuguesas. Não chega com os casamentos reais, os reality shows deprimentes em tribos africanas ou os concursos de talentos ganhos por pessoas com problemas de saliva. O verão só chega verdadeiramente com as adaptações de bandas desenhadas para cinema. É nessa altura que sei que me quero matar. Pelo menos um bocadinho mais do que o resto do ano.
Se há “Sozinho em Casa” no Natal e “Capitães de Abril” no 25 de Abril, há heróis americanos vertidos de licra num cinema perto de si, assim que cheire a Maio. E é fácil de detectar. É só seguir a gritaria das crianças, o mastigar de pipocas de boca aberta ou as conversas sobre tunning e modding à porta das salas de cinema. É a maneira que Hollywood tem de fazer dinheiro. Ou melhor, mais dinheiro. Desta feita é “Thor” que vem provar que no que toca a criatividade, os nerds americanos têm tanta como o compositor dos jingles de anúncios a super mercados. A forma como se inventam heróis americanos é fácil. Primeiro escolha um nome estranho e impronunciável (será o nome do planeta de onde a sua personagem vem). Depois escolha um utensílio que se venda no IKEA (que será a arma da sua personagem). Por fim arranje-lhe uma fobia parva e estranha de que só o vilão tenha conhecimento (como medo de água, pedras esquisitas do planeta de origem ou uma dívida enorme na segurança social). Depois leve a sua personagem ao ginásio de maneira a ficar “inchado”, ponha-lhe uma gaja boa ao lado e sirva isto tudo com muita explosão e pouco QI. Ficará al dente para todos aqueles que achem que Nero é mais nome de cão do que de Imperador.
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Sunday, May 01, 2011
Picado vs "Thor"
Sunday, April 17, 2011
Um título… de filme
Quando em Portugal se fala em títulos de filmes o caminho mais comum é gozar-se sempre com os mesmos dois aspectos: as traduções brasileiras - que comicamente explicam, estragam ou ridicularizam os filmes que batizam; e os títulos pornográficos - que de modo ordinário, e sempre em tom jocoso de andaime, fazem rir a criança que temos dentro de nós.
No entanto, nos últimos anos, tem estado a aparecer um novo fenómeno cinematográfico que merece a nossa atenção. Porque enquanto que os dois exemplos supra citados são bons de um ponto de vista cómico, claramente não têm a dedicação à forma, à humanidade e à ortografia que estes novos trabalhos têm.
Sim, porque enquanto nós, portugueses, tratamos com desprezo e indiferença o “simples” título de um filme, há quem esteja empenhado em torná-lo numa obra de arte de per si. Para nós, comuns mortais, o título é apenas uma identificação fonética. Para este novo artista, é uma tela em branco, que leva e eleva o cinema mais além.
Falo assim, obviamente, das reticências nos títulos de filmes. Porque deverá apenas a pelicula em si, conter dramatismo? Não pode o espectador, mesmo antes de se sentar numa sala - munido de pipocas, bebida e com o telemóvel por pôr no silêncio – ter já começado a experiência cinematográfica antes? Quem são os distribuidores retógrados e tradicionalistas para nos impedirem de usufruir de acção, comédia e suspense, ainda antes da sessão? E tudo… com umas reticências no título.
O artista é anónimo. Prefere manter-se assim – como todos os grandes artistas o fazem. Não tenho garantias que seja sempre o mesmo mas gosto de acreditar que tamanha originalidade, arrojo e dedicação seja obra de uma mente iluminada e, garantidamente, incompreendida. Uns meros minutos de investigação na internet, onde procurei toda a sua obra, levaram-me até inícios de 2008. Mas é provável que tenha dados os seus primeiros passos bem antes disso.
Mas passemos à sua obra, propriamente dita.
Talvez o seu trabalho com maior visibilidade seja a comédia “Um Belo Par De… Patins” (estreado em Maio de 2008). Aqui, na sua obra mais popular, o artista demonstra como sabe respeitar o género do filme, sem que isso o impeça de criar. “Um Belo Par De… Patins”, sendo uma comédia, deu espaço ao autor para fazer ele próprio uma piada. “Um Belo Par” de quê? De “Mamas” como pensará o leitor mais básico? Não. “Patins” porque assim pode transmitir, mesmo que brincando, a mensagem do filme (a de um homem saído de uma relação à pouco tempo). Mais exemplos deste emprego da reticência para fins cómicos podem ser encontrados em títulos como “Adoro-Te… À Distância” (Setembro de 2010), “Batom… E Botas Da Tropa” (Outubro de 2009), “Padrinho… Mas Pouco” (Junho de 2008) ou “Amar… É Complicado” (Março de 2010) - De notar o transtorno emocional pelo qual o artista estaria a passar quando criou este título.
No seu trabalho com comédia quero ainda realçar o meu trabalho preferido de toda a sua obra: “Plano B…ebé” (Junho de 2010). Sem dúvida um clássico instantâneo, no mínimo, pela forma como brinca com as designações das palavras como se fossem castelos de areia numa praia da Costa da Caparica.
No entanto, ele não trabalha apenas comédia. Quando não era preciso fazer rir, o artista foi versátil o suficiente para aplicar o seu trabalho a novos propósitos. As reticências também podem ser aplicadas como forma de enunciação narrativa. Em títulos como “Por Amor…” (Setembro de 2009), “Thirst – Este É O Meu Sangue…” (Abril de 2010), “Para Sempre. Talvez…” (Março de 2008) ou “Vista Pela Última Vez…” (Fevereiro de 2008) é claro o esforço do artista em deixar o espectador, mesmo no final da leitura do título, em profunda ponderação filosófica do mesmo. A reticência é aqui usada como meio de deixar “no ar” um silêncio contemplativo pela leitura do título. Sim, porque o artista não é egoísta. Gosta que apreciem o seu trabalho mas não o faz pela fama. Fá-lo pelo bem da própria película. Ele sabe que a reticência pode muito bem ser usada como forma filosófica e emotiva de ponderar a narrativa.
Encontrei ainda trabalhos em que a reticência foi reforçada com mais pontuação, numa clara luta do génio por explorar todo o seu talento, sem reservas. E este é talvez o seu trabalho mais arrojado. Já cansado de umas meras reticências, procurou incorporar, que nem um expressionista na sua máxima força, o máximo de elementos que conseguiu, procurando provocar no leitor um claro e directo êxtase literário. “Com Outra?! …Nem Morta!” (Junho de 2009) é uma miscelânia arriscada e bem conseguida de pontuação ortográfica. Esta orgia de elementos visuais no título vão, sem dúvida, ficar na história – sendo ainda um mito que este título tenha causado mau-estar e vómitos em tantos espectadores como alguma crítica quer fazer acreditar.
O importante é reparar que o artista, ao colocar as reticências, está a deixar um pouco de si no seu trabalho. Ele coloca os famigerados três pontinhos nos locais onde ele, enquanto indivíduo, encontrou dúvida, comédia ou profundidade humana. Ele deixa a sua marca pessoal dizendo indirectamente ao espectador “olha que isto mexeu comigo. Perde um pouco do teu tempo a pensar nisto, se fazes favor”.
No entanto, e com toda a certeza, o público não compreende, aceita ou valoriza a arte deste artista. É sempre assim com mentes brilhantes, colocadas em tempos que não são os seus. Aposto que o povo português continua a fazer pedidos nas bilheteiras sem dar a devida pausa nas reticências. Brilhantes títulos como “Padrinho… Mas Pouco” ou “Adoro-te… À Distância” estão para sempre condenados a ser entoados como “Padrinho Mas Pouco” ou “Adoro-te À Distância” num profundo desrespeito pelo trabalho de quem cria, verdadeiramente, no cinema de hoje em dia.
Mas infelizmente... é o país que temos.
Friday, April 15, 2011
Picado vs "A Rapariga do Capuz Vermelho"
“A Rapariga do Capuz Vermelho” – …o espectador do vómito esverdeado
CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar todo nu, colado numa parede das paredes do quarto do Cavaco Silva com cola UHU, sendo obrigado a assistir a todos os chás que tem com o Sócrates, o Passos Coelho, a malta do FMI e com o terapeuta da fala que o ajuda a pedir pizzas por telefone. Isto tudo sem conseguir falar porque me enfiaram uma bola de berlim fora de prazo na boca. (E por Bola de Berlim fora de prazo entenda-se “um seio da Angela Merkel”). “A Rapariga do Capuz Vermelho” foi o tempo da minha preciosa semana que gastei de pior forma. E atenção, eu também li uma edição d’A Bola – adoro reportagens sobre futebol. Fazem-me sentir como a personagem principal do “Processo” do Kafka mas como se ele tivesse bigode, palito na boca e vestisse só camisola interior. Este filme é tão mau que por comparação, as novas promos ao programa da SIC “Peso Pesado”, estão a ser confundidas com curtas metragens do Godard.
Que raio de ideia foi esta de se adaptar a história do Capuchinho Vermelho? Gostam de jovens indefesas que são perseguidas por vilões de dentes afiados? Então, fizessem um filme sobre a língua portuguesa, a de Camões, que tem de levar um “c” mudo à casa da avózinha mas um novo acordo ortográfico apanha-a numa floresta e viola-lhe as consoantes. Não era giro? Pois, mas a senhora realizadora de grandes clássicos do cinema como o “Twilight” achou que era melhor ideia mastigar uma história infantil e parva pondo-lhe um lobisomem, um padre e um triângulo amoroso. Se ao menos me dessem a mim uma cesta com cogumelos da floresta, podia ser que eu não aguentasse as horas deste filme como se me estivessem a apontar números de telefone de prostitutas da área de Massamá nas costas com um x-acto. Querem ir ver isto? Força. Mas fiquem sabendo que este filme está a uma penetração de distância de ser pornografia. E da má. Daquela em que as pessoas são peludas e há demasiados planos das caras dos homens a terem prazer.
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CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar todo nu, colado numa parede das paredes do quarto do Cavaco Silva com cola UHU, sendo obrigado a assistir a todos os chás que tem com o Sócrates, o Passos Coelho, a malta do FMI e com o terapeuta da fala que o ajuda a pedir pizzas por telefone. Isto tudo sem conseguir falar porque me enfiaram uma bola de berlim fora de prazo na boca. (E por Bola de Berlim fora de prazo entenda-se “um seio da Angela Merkel”). “A Rapariga do Capuz Vermelho” foi o tempo da minha preciosa semana que gastei de pior forma. E atenção, eu também li uma edição d’A Bola – adoro reportagens sobre futebol. Fazem-me sentir como a personagem principal do “Processo” do Kafka mas como se ele tivesse bigode, palito na boca e vestisse só camisola interior. Este filme é tão mau que por comparação, as novas promos ao programa da SIC “Peso Pesado”, estão a ser confundidas com curtas metragens do Godard.
Que raio de ideia foi esta de se adaptar a história do Capuchinho Vermelho? Gostam de jovens indefesas que são perseguidas por vilões de dentes afiados? Então, fizessem um filme sobre a língua portuguesa, a de Camões, que tem de levar um “c” mudo à casa da avózinha mas um novo acordo ortográfico apanha-a numa floresta e viola-lhe as consoantes. Não era giro? Pois, mas a senhora realizadora de grandes clássicos do cinema como o “Twilight” achou que era melhor ideia mastigar uma história infantil e parva pondo-lhe um lobisomem, um padre e um triângulo amoroso. Se ao menos me dessem a mim uma cesta com cogumelos da floresta, podia ser que eu não aguentasse as horas deste filme como se me estivessem a apontar números de telefone de prostitutas da área de Massamá nas costas com um x-acto. Querem ir ver isto? Força. Mas fiquem sabendo que este filme está a uma penetração de distância de ser pornografia. E da má. Daquela em que as pessoas são peludas e há demasiados planos das caras dos homens a terem prazer.
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Friday, March 18, 2011
Picado vs "Eu Sou O Número Quatro"
“Eu Sou O Número 4″ – …por isso tire uma senha e espere sentado
CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar a engolir shot’s de diarreia do José Sócrates depois deste ter acabado de correr uma maratona inteira pela Ponte 25 de Abril, isto enquanto sou lapidado pelos 230 deputados, que me atiram versões do PEC – algumas ainda por divulgar – contra várias partes do corpo, todas elas tatuadas com os nomes de todos os patrões portugueses que aceitam e praticam estágios não remunerados. Ninguém gosta se ser um número. Na Segurança Social somos um de registo e outro pela dívida. No Talho somos uma senha, que espera entre uma idosa indecisa e um cliente com um sotaque imperceptível. No telemóvel de uma rapariga bonita que teve pena de nós somos outro, mas apenas mais um. E que nunca voltará a ser digitado, por muito que choremos no duche a pensar nela. Passamos a vida a ser um número, uma conta, um dígito, um código para acabarmos confusos, doentes e pobres, numa espécie de sudoku sem linhas ou solução. Andamos a perder a identidade, um Census de cada vez. Sim, porque abrir a minha porta de casa a pessoas estranhas de colete reflector, por muita multa que me ameacem, sei que vai acabar com a venda de pichebeque em fascículos.
Podia descorrer sobre a narrativa asquerosa e de QI unitário de “Eu Sou O Número Quatro” mas basta-me dizer que é escrito pela malta que escrevia a série “Smallville”, ou seja, é uma cupsidela de malta que já masca pastilhas descoladas de tampo de mesa de escola secundária. A originalidade presente neste filme é como um elástico para o cabelo no pulso de uma mulher. Já passou rodou tanto que dificilmente estica. E já que querem uma personagem com super poderes, eu deixo aqui uma lista de super poderes que os americanos realmente precisam: saber ler um mapa, comer de boca fechada, comer uma refeição de cada vez, a andar e falar ao mesmo tempo e quem sabe, ficarem de fora dos problemas dos outros. Por muito petróleo, dinheiro ou chineses que tenham. O tipo de super poder que um americano não precisa é, de certeza, telequinésia. Já estão sentados, parados e a mandarem vir até si tudo o que precisam com comandos remotos, telefonemas e imigração mal paga. Mas querem mesmo ver este filme? Força. Aviso apenas que não é mais que a saga “Twilight” e um monte de bd’s do “Super Homem” metidas dentro de uma misturadora, desfeitas e ingeridas com coca-cola quente e sem gás.
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CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar a engolir shot’s de diarreia do José Sócrates depois deste ter acabado de correr uma maratona inteira pela Ponte 25 de Abril, isto enquanto sou lapidado pelos 230 deputados, que me atiram versões do PEC – algumas ainda por divulgar – contra várias partes do corpo, todas elas tatuadas com os nomes de todos os patrões portugueses que aceitam e praticam estágios não remunerados. Ninguém gosta se ser um número. Na Segurança Social somos um de registo e outro pela dívida. No Talho somos uma senha, que espera entre uma idosa indecisa e um cliente com um sotaque imperceptível. No telemóvel de uma rapariga bonita que teve pena de nós somos outro, mas apenas mais um. E que nunca voltará a ser digitado, por muito que choremos no duche a pensar nela. Passamos a vida a ser um número, uma conta, um dígito, um código para acabarmos confusos, doentes e pobres, numa espécie de sudoku sem linhas ou solução. Andamos a perder a identidade, um Census de cada vez. Sim, porque abrir a minha porta de casa a pessoas estranhas de colete reflector, por muita multa que me ameacem, sei que vai acabar com a venda de pichebeque em fascículos.
Podia descorrer sobre a narrativa asquerosa e de QI unitário de “Eu Sou O Número Quatro” mas basta-me dizer que é escrito pela malta que escrevia a série “Smallville”, ou seja, é uma cupsidela de malta que já masca pastilhas descoladas de tampo de mesa de escola secundária. A originalidade presente neste filme é como um elástico para o cabelo no pulso de uma mulher. Já passou rodou tanto que dificilmente estica. E já que querem uma personagem com super poderes, eu deixo aqui uma lista de super poderes que os americanos realmente precisam: saber ler um mapa, comer de boca fechada, comer uma refeição de cada vez, a andar e falar ao mesmo tempo e quem sabe, ficarem de fora dos problemas dos outros. Por muito petróleo, dinheiro ou chineses que tenham. O tipo de super poder que um americano não precisa é, de certeza, telequinésia. Já estão sentados, parados e a mandarem vir até si tudo o que precisam com comandos remotos, telefonemas e imigração mal paga. Mas querem mesmo ver este filme? Força. Aviso apenas que não é mais que a saga “Twilight” e um monte de bd’s do “Super Homem” metidas dentro de uma misturadora, desfeitas e ingeridas com coca-cola quente e sem gás.
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Thursday, March 10, 2011
Picado vs "Época De Bruxas
“Época Das Bruxas” – …uma espécie de saldos da bruxaria
CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar fechado numa sauna há 4 dias, alimentado apenas a chocapic – que com leite morno toda a gente que sabe mal -, isto enquanto me depilam todo o corpo através de raspagem usando os dentes da frente do Kahdafi. Tudo isto ouvindo não a música dos “Homens da Luta”, mas depoimentos de energúmenos que encontram e defendem respeito e importância num evento como o Festival da Eurovisão. E pronto. É oficial. Nicolas Cage é o Santana Lopes do cinema. Tem o mesmo penteado seboso, a mesma incompetência e ineficácia em tudo o que se mete e uma insistência hercúlea em aparecer. Como é que o Homem já pisou a Lua, clonou uma ovelha e percebeu o que o Obikwelu diz numa frase, mas ainda não se conseguiu encontrar uma maneira de fazer desaparecer esta praga de sanguessugas profissionais?
Às vezes paro para pensar e acho que o Nicolas Cage não existe. Que é uma invenção da minha pisque. Uma forma animal e básica do meu ID despoletar o meu instinto de sobrevivência. Mas depois ele faz outro filme e eu percebo que por mais cigarros que enrole, ele existe mesmo. Que filme é que falta a este indivíduo fazer? Em que cenário? Em que época? Com que mau cabeleireiro? Já esteve preso numa ilha, treinou feiticeiros, teve a cabeça a arder e viajou no tempo. Só falta um tipo de filme a Nicolas Cage, que infelizmente seria aquele onde a sua prestação seria melhor, mas onde ninguém o quer ver: numa sex tape. A história disto? Eu troco por miúdos. No séc. XIV, um cavaleiro tem de transportar uma rapariga acusada de bruxaria, até um mosteiro onde a vão “curar”, porque segundo a Igreja Católica, ela é a responsável pela peste negra. Ou seja, colocaram a “Joana D’Arc” e o “Senhor dos Anéis” numa batedeira, adicionaram canastrice e milhões de dolares QB e saiu “Época De Bruxas”. Querem ver isto numa sala de cinema? Força. Mas fiquem sabendo que este filme é, sem sombra de dúvida, a coisa mais insignificante dos últimos anos. Mais do que o Freddy Adu foi no Benfica. O Cavaco Silva é para Portugal. Ou a Cinha Jardim é para a cura de doenças terminais.
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CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar fechado numa sauna há 4 dias, alimentado apenas a chocapic – que com leite morno toda a gente que sabe mal -, isto enquanto me depilam todo o corpo através de raspagem usando os dentes da frente do Kahdafi. Tudo isto ouvindo não a música dos “Homens da Luta”, mas depoimentos de energúmenos que encontram e defendem respeito e importância num evento como o Festival da Eurovisão. E pronto. É oficial. Nicolas Cage é o Santana Lopes do cinema. Tem o mesmo penteado seboso, a mesma incompetência e ineficácia em tudo o que se mete e uma insistência hercúlea em aparecer. Como é que o Homem já pisou a Lua, clonou uma ovelha e percebeu o que o Obikwelu diz numa frase, mas ainda não se conseguiu encontrar uma maneira de fazer desaparecer esta praga de sanguessugas profissionais?
Às vezes paro para pensar e acho que o Nicolas Cage não existe. Que é uma invenção da minha pisque. Uma forma animal e básica do meu ID despoletar o meu instinto de sobrevivência. Mas depois ele faz outro filme e eu percebo que por mais cigarros que enrole, ele existe mesmo. Que filme é que falta a este indivíduo fazer? Em que cenário? Em que época? Com que mau cabeleireiro? Já esteve preso numa ilha, treinou feiticeiros, teve a cabeça a arder e viajou no tempo. Só falta um tipo de filme a Nicolas Cage, que infelizmente seria aquele onde a sua prestação seria melhor, mas onde ninguém o quer ver: numa sex tape. A história disto? Eu troco por miúdos. No séc. XIV, um cavaleiro tem de transportar uma rapariga acusada de bruxaria, até um mosteiro onde a vão “curar”, porque segundo a Igreja Católica, ela é a responsável pela peste negra. Ou seja, colocaram a “Joana D’Arc” e o “Senhor dos Anéis” numa batedeira, adicionaram canastrice e milhões de dolares QB e saiu “Época De Bruxas”. Querem ver isto numa sala de cinema? Força. Mas fiquem sabendo que este filme é, sem sombra de dúvida, a coisa mais insignificante dos últimos anos. Mais do que o Freddy Adu foi no Benfica. O Cavaco Silva é para Portugal. Ou a Cinha Jardim é para a cura de doenças terminais.
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Thursday, March 03, 2011
Picado vs "Óscares 2011"
“Óscares 2011″ – …o acidente na faixa contrária da auto-estrada
CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver os Óscares deste ano foi a mesma de estar a atingir o 17º orgasmo de seguida, sentado na cama da Monica Vitti, ao som de Lou Reed tocado pela orquestra filarmónica de Viena, enquanto cantoras líricas me recitam os “Cahiers Du Cinéma”. A sério. Ver os Óscares este ano deu-me exactamente a mesma sensação de perda de virgindade de quando vi o “Persona” do Bergman pela primeira vez. Imagino que este seja o prazer que um português tem em dia de saldos. Ou de um taxista numa happy hour. É indescritível. Ver aquela gente falhar tão redondamente, faz de mim um indivíduo sádico, mas um indivíduo sádico com uma erecção. A maneira tão bela como um evento milionário se despenhou numa poça de falhanço, desconforto e incompetência devia fazer com que o dia 27 de Fevereiro fosse para sempre feriado. Tudo começou com os apresentadores. Foram deliciosamente maus. É que o texto já era mau. Pegar num texto mau e estragá-lo ainda mais é muito difícil e só pode ser visto em novelas portuguesas.
A cada piada que eu ouvia e ninguém se ria, mais eu batia palmas, saltava no sofá e acordava vizinhos. E até houve tempo para uma homenagem ao La Féria. Sim, porque houve transformismo. Se julgavam que as dietas eram o ponto mais baixo da degradação hollywodesca, não viram este momento. É que se há quem tenha desmaiado ao ver o filme “127 Horas”, na cena em que James Franco corta o próprio braço, deve ter havido quem tenha querido desmaiar no momento em que ele entra na cerimónia vestido de mulher. Ele, por seu lado, pareceu mais à vontade do que com um membro preso debaixo de um calhau. Foi tudo perfeito. Talvez só teria sido melhor se todos tivessem comigo canapés e tivessem apanhado uma desintoxicação alimentar por causa disso. Mas não quero abusar. Não mudava nada. Nenhuma linha ao discursos vazios. Nenhuma fralda ao Kirk Douglas. Nenhuma nota desafinada à Celine Dion. Durante anos vi os Óscares sob o efeito de estupefacientes, álcool e xarope para a tosse, na presença de alguém sóbrio que me impedisse de me matar, caso eu tivesse vontade. Este ano, incrivelmente, não foi preciso. Nem sequer adormeci. Ou vomitei pedaços do jantar na minha própria boca. Terei para sempre esta cerimónia gravada num dvd, não vá precisar de salvar algum suicida, mostrando-lhe que há sempre alguém que merece mais saltar de um prédio e embater violentamente com um sobrolho num passeio.
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CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver os Óscares deste ano foi a mesma de estar a atingir o 17º orgasmo de seguida, sentado na cama da Monica Vitti, ao som de Lou Reed tocado pela orquestra filarmónica de Viena, enquanto cantoras líricas me recitam os “Cahiers Du Cinéma”. A sério. Ver os Óscares este ano deu-me exactamente a mesma sensação de perda de virgindade de quando vi o “Persona” do Bergman pela primeira vez. Imagino que este seja o prazer que um português tem em dia de saldos. Ou de um taxista numa happy hour. É indescritível. Ver aquela gente falhar tão redondamente, faz de mim um indivíduo sádico, mas um indivíduo sádico com uma erecção. A maneira tão bela como um evento milionário se despenhou numa poça de falhanço, desconforto e incompetência devia fazer com que o dia 27 de Fevereiro fosse para sempre feriado. Tudo começou com os apresentadores. Foram deliciosamente maus. É que o texto já era mau. Pegar num texto mau e estragá-lo ainda mais é muito difícil e só pode ser visto em novelas portuguesas.
A cada piada que eu ouvia e ninguém se ria, mais eu batia palmas, saltava no sofá e acordava vizinhos. E até houve tempo para uma homenagem ao La Féria. Sim, porque houve transformismo. Se julgavam que as dietas eram o ponto mais baixo da degradação hollywodesca, não viram este momento. É que se há quem tenha desmaiado ao ver o filme “127 Horas”, na cena em que James Franco corta o próprio braço, deve ter havido quem tenha querido desmaiar no momento em que ele entra na cerimónia vestido de mulher. Ele, por seu lado, pareceu mais à vontade do que com um membro preso debaixo de um calhau. Foi tudo perfeito. Talvez só teria sido melhor se todos tivessem comigo canapés e tivessem apanhado uma desintoxicação alimentar por causa disso. Mas não quero abusar. Não mudava nada. Nenhuma linha ao discursos vazios. Nenhuma fralda ao Kirk Douglas. Nenhuma nota desafinada à Celine Dion. Durante anos vi os Óscares sob o efeito de estupefacientes, álcool e xarope para a tosse, na presença de alguém sóbrio que me impedisse de me matar, caso eu tivesse vontade. Este ano, incrivelmente, não foi preciso. Nem sequer adormeci. Ou vomitei pedaços do jantar na minha própria boca. Terei para sempre esta cerimónia gravada num dvd, não vá precisar de salvar algum suicida, mostrando-lhe que há sempre alguém que merece mais saltar de um prédio e embater violentamente com um sobrolho num passeio.
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Monday, February 28, 2011
E eu que até gosto dos Oscares...
Perdoem-me.
Mas uma cerimónia em que a introdução é um cliché de um cliché.
Em que os apresentadores davam ar de querer estar no sofá, em casa.
E onde a Celine Dion canta... é uma má cerimónia.
A organização do evento esteve durante semanas a publicitar que queria apelar a um público mais jovem. Que queria um público mais actual. Aquele que "gasta dinheiro", sabem? E por isso, escolheram dois actores saídos da puberdade - calma, lembrem-se que o Kirk Souglas subiu a palco. É por comparação. - provando mais uma vez que há um problema grave de apresentação nos Óscares.
Durante anos foram comediantes a apresentar. Nunca houve problemas.
Este ano optaram por chamar a Anne Hathaway e o James Franco para apresentar. Ops. O James Franco quis ser de facto "jovem" e fumou coisas de "jovens" e a Anne Hathaway só se ria como uma pita que entra no mesmo elevador do cast do "Twilight". No que toca à execrável, lenta e desconfortável apresentação houve dois momentos que serviram de atestado de incompetência: um velho de 736 anos chamado Kirk Douglas e o Billy Cristal estiveram 5 minutos cada um em palco e fizeram o público rir-se mais do que os apresentadores durante toda a sua carreira. O momento de revista portuguesa em que o Franco aparece vestido de mulher é a metáfora mais acertada da noite.
Nem no ano da greve dos argumentistas - que contou com um guião de evento escrito em cima do joelho a 4 horas de chegarem as limusinas - a coisa foi tão insossa. É que mesmo os apresentadores sabiam que iam rematar ao lado. Estarem semanas antes do evento a dizer em todas as entrevistas que "não somos comediantes, somos actores" devia ter sido traduzido como "nós não vos vamos fazer rir, só fomos pagos para estar lá".
É muito complicado apelar a todo o público do Óscares. Eu sei. Mas se por um lado há uma grande fatia de judeus ricos e conservadores, do outro há a comunidade que paga bilhetes no cinema, que é jovem, inteligente e fã de boa comédia. Que sentido faz terem o Billy Cristal a apresentar apenas um prémio e dois apresentadores perdidos, desconfortáveis e arrependidos o tempo todo? Chamem o Gervais. Chamem o Jon Stewart. Bolas, chamem o Kevin Spacey.
A escolha destes dois para apresentar era sempre uma merda. Até resultar.
Como não resultou. É só uma merda.
A única coisa que me surpreendeu foi o "Oscar de melhor filme".
A organização fartou-se de dizer que queria apelar ao público jovem - e até teve a coragem de mostrar imagens do "Twilight" em plenos Óscares. O mundo árabe revoluciona-se e fá-lo sempre através do Facebook. O Zuckerberg é brilhantemente imitado em ecrã e é mais judeu que toda a produção dos Óscares no dia de Hanukkah. Tudo fazia indicar que o lobby do "eu gosto" iria fazer história. Mas eis que entra um rei gago e me fode as apostas. Eu adorei o "Discurso do Rei". É um filme que merece tanto prémios como ser visto. Mas também é um filme que podia ter saído tanto este ano como em 2014. Inexplicavelmente o filme sobre o site de internet mais importante e marcante da década - em termos económicos, políticos e sociais - recebe um "maybe attending" que se lixa.
Os prémios até foram justos.
A apresentação foi má ao ponto de me fazer desejar que a Barbara Guimarães aparecesse e salvasse a noite.
Aos Óscares 2011 digo: não fosse a Mila Kunis e a aparição do Delorean, eu queria ter fumado o que o James Franco fumou.
Acabo deixando aqui as parvoíces que fui dizendo ao longo do evento no Facebook.
Foram escritas de madrugada. Com sono. E irritado porque o "Inception" não estava a ganhar nada.
Mas percam tempo a lê-las. Vão rir-se mais do que com todo o texto dos apresentadores.
"O True Grit é definitivamente o mais fraquinho dos "grandes". E o Braga, vá."
"A julgar pela cor dos dentes do James Franco, ele cortou o braço foi à dentada."
"Não deviam interromper os discursos longos com uma orquestra. Deviam fazê-lo com uma arma."
"Se a Celine Dion cantar alguma coisa hoje, eu corto um braço."
"Já ouvi um "Fuck" nos Óscares. Já posso morrer."
"Se alguém se cruzar com a Mila Kunis, digam-lhe que "96 885 38 ..."."
"Para se estar nomeado para "Melhor Actor Secundário" é preciso parecer que se tem um problema de drogas. É isso?"
"Ao Bale não deviam dar uma estatueta. Um director de fotografia para espancar é mais a cara dele."
"Ok. Esqueçam tudo o que eu disse até agora. Se se cruzarem com a Scarlett digam-lhe que "96 885 38 ..."."
"Não sabia que estava a assistir a um exame de matemática do 9º ano. Cábulas?"
"Olha. A música que os Black Eyed Peas foderam à bruta."
"Eu ainda sou do tempo em que quando se apostava em curtas com putos cancerígenos, se acertava."
"Foi o Bansky que pintou a cara à Oprah?"
"O meu mac está com "14%" de bateria. Já é alguma coisa que tem em comum com o James Franco."
"Nota-se mesmo que a Jennifer Hudson foi ver o "127 Horas" e que aquilo lhe deu a volta ao estômago."
"James Franco, dá-te por sortudo de não haver controlo anti-dopping nos Oscares."
"Vê-se mesmo que é a TVI... isto está a acabar com putos a cantar."
"Amanhã não se esqueçam de avisar toda a gente: os links que disserem "os melhores momentos da cerimonia" são vírus."
Até 2012.
Mas uma cerimónia em que a introdução é um cliché de um cliché.
Em que os apresentadores davam ar de querer estar no sofá, em casa.
E onde a Celine Dion canta... é uma má cerimónia.
A organização do evento esteve durante semanas a publicitar que queria apelar a um público mais jovem. Que queria um público mais actual. Aquele que "gasta dinheiro", sabem? E por isso, escolheram dois actores saídos da puberdade - calma, lembrem-se que o Kirk Souglas subiu a palco. É por comparação. - provando mais uma vez que há um problema grave de apresentação nos Óscares.
Durante anos foram comediantes a apresentar. Nunca houve problemas.
Há uns anos tiveram o Jon Stewart. Parecia o Bob Hope dos nossos dias. Foi espectacular. Não o chamaram outra vez.
Depois puseram o Hugh Jackman. Dançou, cantou, deixou as velhas guardas dos Oscares com ponta. Mas cansou a população mundial que não tinha acções do evento e as audiências sofreram.
No ano seguinte, puxaram pelo lado cómico-vintage do evento. Alec Baldwin e um ressuscitado Steve Martin disseram piadolas a gozarem um com o outro. Um "bro hosting" para velhotes de cabelo branco. As audiências continuaram a sofrer.
Este ano optaram por chamar a Anne Hathaway e o James Franco para apresentar. Ops. O James Franco quis ser de facto "jovem" e fumou coisas de "jovens" e a Anne Hathaway só se ria como uma pita que entra no mesmo elevador do cast do "Twilight". No que toca à execrável, lenta e desconfortável apresentação houve dois momentos que serviram de atestado de incompetência: um velho de 736 anos chamado Kirk Douglas e o Billy Cristal estiveram 5 minutos cada um em palco e fizeram o público rir-se mais do que os apresentadores durante toda a sua carreira. O momento de revista portuguesa em que o Franco aparece vestido de mulher é a metáfora mais acertada da noite.
Nem no ano da greve dos argumentistas - que contou com um guião de evento escrito em cima do joelho a 4 horas de chegarem as limusinas - a coisa foi tão insossa. É que mesmo os apresentadores sabiam que iam rematar ao lado. Estarem semanas antes do evento a dizer em todas as entrevistas que "não somos comediantes, somos actores" devia ter sido traduzido como "nós não vos vamos fazer rir, só fomos pagos para estar lá".
É muito complicado apelar a todo o público do Óscares. Eu sei. Mas se por um lado há uma grande fatia de judeus ricos e conservadores, do outro há a comunidade que paga bilhetes no cinema, que é jovem, inteligente e fã de boa comédia. Que sentido faz terem o Billy Cristal a apresentar apenas um prémio e dois apresentadores perdidos, desconfortáveis e arrependidos o tempo todo? Chamem o Gervais. Chamem o Jon Stewart. Bolas, chamem o Kevin Spacey.
A escolha destes dois para apresentar era sempre uma merda. Até resultar.
Como não resultou. É só uma merda.
A única coisa que me surpreendeu foi o "Oscar de melhor filme".
A organização fartou-se de dizer que queria apelar ao público jovem - e até teve a coragem de mostrar imagens do "Twilight" em plenos Óscares. O mundo árabe revoluciona-se e fá-lo sempre através do Facebook. O Zuckerberg é brilhantemente imitado em ecrã e é mais judeu que toda a produção dos Óscares no dia de Hanukkah. Tudo fazia indicar que o lobby do "eu gosto" iria fazer história. Mas eis que entra um rei gago e me fode as apostas. Eu adorei o "Discurso do Rei". É um filme que merece tanto prémios como ser visto. Mas também é um filme que podia ter saído tanto este ano como em 2014. Inexplicavelmente o filme sobre o site de internet mais importante e marcante da década - em termos económicos, políticos e sociais - recebe um "maybe attending" que se lixa.
Os prémios até foram justos.
A apresentação foi má ao ponto de me fazer desejar que a Barbara Guimarães aparecesse e salvasse a noite.
Aos Óscares 2011 digo: não fosse a Mila Kunis e a aparição do Delorean, eu queria ter fumado o que o James Franco fumou.
Acabo deixando aqui as parvoíces que fui dizendo ao longo do evento no Facebook.
Foram escritas de madrugada. Com sono. E irritado porque o "Inception" não estava a ganhar nada.
Mas percam tempo a lê-las. Vão rir-se mais do que com todo o texto dos apresentadores.
"O True Grit é definitivamente o mais fraquinho dos "grandes". E o Braga, vá."
"A julgar pela cor dos dentes do James Franco, ele cortou o braço foi à dentada."
"Não deviam interromper os discursos longos com uma orquestra. Deviam fazê-lo com uma arma."
"Se a Celine Dion cantar alguma coisa hoje, eu corto um braço."
"Já ouvi um "Fuck" nos Óscares. Já posso morrer."
"Se alguém se cruzar com a Mila Kunis, digam-lhe que "96 885 38 ..."."
"Para se estar nomeado para "Melhor Actor Secundário" é preciso parecer que se tem um problema de drogas. É isso?"
"Ao Bale não deviam dar uma estatueta. Um director de fotografia para espancar é mais a cara dele."
"Ok. Esqueçam tudo o que eu disse até agora. Se se cruzarem com a Scarlett digam-lhe que "96 885 38 ..."."
"Não sabia que estava a assistir a um exame de matemática do 9º ano. Cábulas?"
"Olha. A música que os Black Eyed Peas foderam à bruta."
"Eu ainda sou do tempo em que quando se apostava em curtas com putos cancerígenos, se acertava."
"Foi o Bansky que pintou a cara à Oprah?"
"O meu mac está com "14%" de bateria. Já é alguma coisa que tem em comum com o James Franco."
"Nota-se mesmo que a Jennifer Hudson foi ver o "127 Horas" e que aquilo lhe deu a volta ao estômago."
"James Franco, dá-te por sortudo de não haver controlo anti-dopping nos Oscares."
"Vê-se mesmo que é a TVI... isto está a acabar com putos a cantar."
"Amanhã não se esqueçam de avisar toda a gente: os links que disserem "os melhores momentos da cerimonia" são vírus."
Até 2012.
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Thursday, February 24, 2011
Picado vs "127 Horas"
“127 Horas” – …é a duração que o filme parece ter
CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar drogado depois ter snifado cola UHU fora de prazo, enquanto estou preso num saco para cadáveres, dentro da mala do carro do Toy e este conduz com os pés, a 300km/h, por cima de todas as lombas de Linda-a-Velha. Isto tudo, obviamente, durante 127 horas seguidas. O que se faz durante 127 Horas? Em Portugal, espera-se numa Loja do Cidadão. À conversar com o Eusébio, demora-se a perceber o que ele está a dizer. Na cama do Sting, faz-se sexo. 127 horas são 5 dias e picos. É exactamente o tempo que eu preciso para recuperar a consciência sempre que vejo a capa do Correio da Manhã, sem querer, num quiosque. Não é, nem nunca será, o tempo durante o qual eu quero ver um perito em escalada a ouvir o seu próprio eco. E um homem que fica preso numa pedra é um filme? Já estou a ver mais sequelas centradas noutras personagens retidas contra a sua vontade: “Preso no trânsito”! “O elevador parou”! “À conversa com a minha porteira quando estou atrasado para trabalhar”! A escalada só serve para pôr crianças a temerem pela sua vida durante férias de verão. A sério. Expliquei isto durante anos aos meus pais mas eles não acreditaram em mim. Pelos visto Hollywood é gerida pelos meus progenitores.
Mas cá temos “127 Horas”, um drama regado com suspense. Porquê? Porque nos faz chorar de termos perdido o nosso dinheiro depois de nos fazer acreditar que o projector talvez falhe e possamos ir para casa mais cedo. O problema é que só podemos ir para casa depois do coitadito cortar o próprio braço. Esta ideia está mal aproveitada. O filme teria muito mais sucesso se ele tivesse cortado não o braço mas a língua, e logo no primeiro minuto de filme. “Auto-mutilações” são coisas que gostamos de ver no “Portugal Tem Talento” e que esperamos ver em sessões parlamentares. Não é algo que gostemos de ver montanheiros a praticar. Até porque esses praticar é mais sexo com ovelhas. São outras coisas que eles gostam de entalar. Vão ver o filme, se fazem questão. Não vos vou entalar um dedo numa porta para vos impedir. No entanto, tenham noção que no final do filme, é isso que vão ter vontade de fazer.
AVISO: vários espectadores desmaiaram ao ver este filme. Eu tenho de confessar que também. Não por causa da violência do mesmo mas porque enfardar pipocas de centro comercial sentado ao lado de pessoas cuja higiene pessoal é feita apenas e só em dias de contratações do Sporting, dá mau resultado.
As seen on O Indesmentível.
CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar drogado depois ter snifado cola UHU fora de prazo, enquanto estou preso num saco para cadáveres, dentro da mala do carro do Toy e este conduz com os pés, a 300km/h, por cima de todas as lombas de Linda-a-Velha. Isto tudo, obviamente, durante 127 horas seguidas. O que se faz durante 127 Horas? Em Portugal, espera-se numa Loja do Cidadão. À conversar com o Eusébio, demora-se a perceber o que ele está a dizer. Na cama do Sting, faz-se sexo. 127 horas são 5 dias e picos. É exactamente o tempo que eu preciso para recuperar a consciência sempre que vejo a capa do Correio da Manhã, sem querer, num quiosque. Não é, nem nunca será, o tempo durante o qual eu quero ver um perito em escalada a ouvir o seu próprio eco. E um homem que fica preso numa pedra é um filme? Já estou a ver mais sequelas centradas noutras personagens retidas contra a sua vontade: “Preso no trânsito”! “O elevador parou”! “À conversa com a minha porteira quando estou atrasado para trabalhar”! A escalada só serve para pôr crianças a temerem pela sua vida durante férias de verão. A sério. Expliquei isto durante anos aos meus pais mas eles não acreditaram em mim. Pelos visto Hollywood é gerida pelos meus progenitores.
Mas cá temos “127 Horas”, um drama regado com suspense. Porquê? Porque nos faz chorar de termos perdido o nosso dinheiro depois de nos fazer acreditar que o projector talvez falhe e possamos ir para casa mais cedo. O problema é que só podemos ir para casa depois do coitadito cortar o próprio braço. Esta ideia está mal aproveitada. O filme teria muito mais sucesso se ele tivesse cortado não o braço mas a língua, e logo no primeiro minuto de filme. “Auto-mutilações” são coisas que gostamos de ver no “Portugal Tem Talento” e que esperamos ver em sessões parlamentares. Não é algo que gostemos de ver montanheiros a praticar. Até porque esses praticar é mais sexo com ovelhas. São outras coisas que eles gostam de entalar. Vão ver o filme, se fazem questão. Não vos vou entalar um dedo numa porta para vos impedir. No entanto, tenham noção que no final do filme, é isso que vão ter vontade de fazer.
AVISO: vários espectadores desmaiaram ao ver este filme. Eu tenho de confessar que também. Não por causa da violência do mesmo mas porque enfardar pipocas de centro comercial sentado ao lado de pessoas cuja higiene pessoal é feita apenas e só em dias de contratações do Sporting, dá mau resultado.
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Thursday, February 17, 2011
Picado vs "Despojos De Inverno"
“Despojos De Inverno” – …é só isso que este filme é
CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar a ser pregado a um cartaz de campanha do PNR por cronistas sociais de canais generalistas, isto tudo no meio do palco do “Portugal Tem Talento”, enquanto estou rodeado por concorrentes do “Biggest Loser” que me usam como passadeira de ginásio, à vez. Se eu apreciasse e visse filmes como vocês, espectadores “normais”, discutia explosões e decotes em casas de banho de centros comerciais, de pila na mão e pipocas no bucho. Se eu fosse um crítico cinematográfico como aqueles que vocês lêem nos jornais, aproveitava o título do filme, fazia uma bela metáfora com a história da formiga e da cigarra, revelando que a “profundidade deste filme está nos despojos emocionais que recolhemos ao longo da nossa vida” e depois ia para casa masturbar-me ao som de fado corridinho. Só depois cortava um pulso. Como sou um apreciador correcto, de cinema verdadeiro, digo-vos apenas que “Despojos De Inverno” me provocou mais azia que o Dia dos Namorados.
Ouçam, os americanos não sabem fazer drama porque não sabem estar tristes. Quando ficam deprimidos, tomam comprimidos. Ou compram uma arma e visitam uma escola secundária para praticar tiro ao alvo. Se fosse um filme sobre bater em povos de terceiro mundo, ou sobre comer, os americanos seriam perfeitos. Para fazer chorar, são tão capazes como o Berlusconi é em manter o órgão sexual dentro das calças. E isto tudo em mais um filme sobre droga. Não chega? Já há tanta droga na cinematografia mundial como no sangue do José Carlos Pereira. Chega. Se ao menos a história da filha que persegue o pai estivesse bem explorada, mas não. Lá anda a menina labrega a correr pelo meio dos bosques quando, se calhar, bastava ir ver a última actualização no Facebook do paizinho. Querem mesmo ver este filme? Façam-no, então. Mas antes procurem um dealer, como o pai da protagonista, comprem-lhe produto, injectem entre dois dedos dos pés, deixem a moca bater, assaltem uma bomba de gasolina, violem uma ovelha num beco escuro, espanquem um Polícia à porta de uma esquadra, gastem todo o vosso dinheiro em prostituição infantil e depois sim, entre na sala de cinema para ver isto. Só dessa maneira, estes 100 minutos serão algo de bom na vossa vida.
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CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar a ser pregado a um cartaz de campanha do PNR por cronistas sociais de canais generalistas, isto tudo no meio do palco do “Portugal Tem Talento”, enquanto estou rodeado por concorrentes do “Biggest Loser” que me usam como passadeira de ginásio, à vez. Se eu apreciasse e visse filmes como vocês, espectadores “normais”, discutia explosões e decotes em casas de banho de centros comerciais, de pila na mão e pipocas no bucho. Se eu fosse um crítico cinematográfico como aqueles que vocês lêem nos jornais, aproveitava o título do filme, fazia uma bela metáfora com a história da formiga e da cigarra, revelando que a “profundidade deste filme está nos despojos emocionais que recolhemos ao longo da nossa vida” e depois ia para casa masturbar-me ao som de fado corridinho. Só depois cortava um pulso. Como sou um apreciador correcto, de cinema verdadeiro, digo-vos apenas que “Despojos De Inverno” me provocou mais azia que o Dia dos Namorados.
Ouçam, os americanos não sabem fazer drama porque não sabem estar tristes. Quando ficam deprimidos, tomam comprimidos. Ou compram uma arma e visitam uma escola secundária para praticar tiro ao alvo. Se fosse um filme sobre bater em povos de terceiro mundo, ou sobre comer, os americanos seriam perfeitos. Para fazer chorar, são tão capazes como o Berlusconi é em manter o órgão sexual dentro das calças. E isto tudo em mais um filme sobre droga. Não chega? Já há tanta droga na cinematografia mundial como no sangue do José Carlos Pereira. Chega. Se ao menos a história da filha que persegue o pai estivesse bem explorada, mas não. Lá anda a menina labrega a correr pelo meio dos bosques quando, se calhar, bastava ir ver a última actualização no Facebook do paizinho. Querem mesmo ver este filme? Façam-no, então. Mas antes procurem um dealer, como o pai da protagonista, comprem-lhe produto, injectem entre dois dedos dos pés, deixem a moca bater, assaltem uma bomba de gasolina, violem uma ovelha num beco escuro, espanquem um Polícia à porta de uma esquadra, gastem todo o vosso dinheiro em prostituição infantil e depois sim, entre na sala de cinema para ver isto. Só dessa maneira, estes 100 minutos serão algo de bom na vossa vida.
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Thursday, February 10, 2011
Picado vs "O Discurso do Rei"
“O Discurso Do Rei” – …que quando fala, faz beatbox involuntário
CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar refém de dois anões bipolares nacionalistas que me fazem marcas no corpo com ferros de marcar gado, isto enquanto danço tectonic ao som da rádio Orbital e – não tendo língua – tenho de recitar as contra-indicações do comprimido Oscillococcinum. Só há duas coisas mais inúteis que um Rei. A Liga Portuguesa de Futebol e o nosso Presidente da República. Este segundo não fala, não se mexe, não aparece e quando o faz, é para dizer que as mulheres estão bem é a fazer o jantar. É que um Rei ao menos usa o seu castelo. O nosso Presidente da República só vai ao Palácio de Belém em dias de contagem da EPAL. Um Rei, por definição, é um politico mimado e sem oposição. É um governante sem eleitores. É o Alberto João Jardim de calças vestidas.
E sendo que o único requisito necessário para se ser Rei é ser-se filho do antecessor, em famílias onde todos fazem filhos uns aos outros, é normal que os genes troquem mimos daqueles que os egípcios andam a trocar com o seu Governo. E mais inútil que um Rei é um Rei gago, porque pior do que uma coisa é sempre uma coisa repetitiva. Para quem se interroga, não, os gagos não são pessoas normais com problemas em apanhar rede. São simplesmente pessoas a quem nós temos uma vontade enorme de acabar as frases. Para ouvir pessoas com defeitos na fala basta-me metade do painel do “Governo Sombra” da TSF. Ainda por cima, não era preciso um tratamento intensivo para se curar a gaguez do Rei. Para curar aquilo bastava fazer o que nós fazíamos quando os nossos reis portugueses tinham problemas: dar-lhes um balázio na testa. Nós não gostamos de ouvir pessoas que mandam a discursar. Sempre que o fazem é para nos tirar dinheiro, tempo ou férias. Mas se querem mesmo ver este filme, força. Relembro apenas que isto é baseado numa história verídica. Bastava pegarem num livro de história e saber que nem a Inglaterra perde guerra nenhuma, nem o vosso dinheiro devia estar a ser gasto em inutilidades em tempo de crise.
As seen on O Indesmentível.
CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar refém de dois anões bipolares nacionalistas que me fazem marcas no corpo com ferros de marcar gado, isto enquanto danço tectonic ao som da rádio Orbital e – não tendo língua – tenho de recitar as contra-indicações do comprimido Oscillococcinum. Só há duas coisas mais inúteis que um Rei. A Liga Portuguesa de Futebol e o nosso Presidente da República. Este segundo não fala, não se mexe, não aparece e quando o faz, é para dizer que as mulheres estão bem é a fazer o jantar. É que um Rei ao menos usa o seu castelo. O nosso Presidente da República só vai ao Palácio de Belém em dias de contagem da EPAL. Um Rei, por definição, é um politico mimado e sem oposição. É um governante sem eleitores. É o Alberto João Jardim de calças vestidas.
E sendo que o único requisito necessário para se ser Rei é ser-se filho do antecessor, em famílias onde todos fazem filhos uns aos outros, é normal que os genes troquem mimos daqueles que os egípcios andam a trocar com o seu Governo. E mais inútil que um Rei é um Rei gago, porque pior do que uma coisa é sempre uma coisa repetitiva. Para quem se interroga, não, os gagos não são pessoas normais com problemas em apanhar rede. São simplesmente pessoas a quem nós temos uma vontade enorme de acabar as frases. Para ouvir pessoas com defeitos na fala basta-me metade do painel do “Governo Sombra” da TSF. Ainda por cima, não era preciso um tratamento intensivo para se curar a gaguez do Rei. Para curar aquilo bastava fazer o que nós fazíamos quando os nossos reis portugueses tinham problemas: dar-lhes um balázio na testa. Nós não gostamos de ouvir pessoas que mandam a discursar. Sempre que o fazem é para nos tirar dinheiro, tempo ou férias. Mas se querem mesmo ver este filme, força. Relembro apenas que isto é baseado numa história verídica. Bastava pegarem num livro de história e saber que nem a Inglaterra perde guerra nenhuma, nem o vosso dinheiro devia estar a ser gasto em inutilidades em tempo de crise.
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Thursday, February 03, 2011
Picado vs "Green Hornet"
“Green Hornet” – …porque até o tradutor do título quer evitar ver isto
CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver isto foi a mesma de estar a correr desenfreadamente num campo minado de 4 por 4 metros, com um anão raivoso às cavalitas que me corta o cabelo com um x-acto, isto depois de uma noite em que sonhei que era o saca-rolhas que o Renato Seabra usou para castrar o Carlos Castro em Nova Iorque. Hollywood não aprende. Filmes sobre crianças mimadas e embirrentas nunca dão resultado. Deviam ter percebido isso com a sequência de filmes do “Dennis, o Pimentinha”. Ou com as peças da TVI sobre José Sócrates. As pessoas mimadas não precisam de uma câmara apontada na direcção delas. Precisam de um tiro de caçadeira numa sobrancelha. A personagem principal de “Green Hornet” é tão insuportável que faz do filme um episódio do “My Super Sweet Sixteen” da MTV com duas horas. (Para quem não conhece o programa, é uma mistura de dinheiro, birras e aparecimento de pêlos púbicos, tudo na mesma festa com música má.)
E como se não bastasse uma criança parva no papel principal, acompanham-na de clichés. A sério, uma loira parva e um chinês que sabe artes marciais? O que é “Green Hornet”? Uma má piada que começa “Um puto, uma loira e um chinês entram um filme…” Além do humor de parede de casa de banho, outra coisa que este filme tenta explorar é o poder dos media. Como? Pondo a administração de um jornal diário nas mãos do referido puto irritante. Amigos, o poder dos media não se mede aos palmos, mede-se aos classificados. A verdade é que já ninguém lê jornais. Há mais sem-abrigo a usá-los como cobertor do que empresários a usá-los como leitura de latrina. A informação morreu. Os media já estão para as pessoas como o screen saver está para o meu pc. Os media da sociedade actual são unicamente porteiras com vozes mais irritantes e menos para limpar. E uma coisa é ver más representações. Outra, é ver más representações em 3D. Parece tão, mas tão real que eu juro que se consegue ver na imagem a carreira desta gente a estrebuchar e a morrer. Querem ver isto? Fiquem avisados, “Green Hornet” não é mais que o “Iron Man” na puberdade; um “Batman” com gosto por cores berrantes; ou o “Hulk” depois de fumar uma ganza.
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CONTRA PICADO/GF – A sensação que eu tive ao ver isto foi a mesma de estar a correr desenfreadamente num campo minado de 4 por 4 metros, com um anão raivoso às cavalitas que me corta o cabelo com um x-acto, isto depois de uma noite em que sonhei que era o saca-rolhas que o Renato Seabra usou para castrar o Carlos Castro em Nova Iorque. Hollywood não aprende. Filmes sobre crianças mimadas e embirrentas nunca dão resultado. Deviam ter percebido isso com a sequência de filmes do “Dennis, o Pimentinha”. Ou com as peças da TVI sobre José Sócrates. As pessoas mimadas não precisam de uma câmara apontada na direcção delas. Precisam de um tiro de caçadeira numa sobrancelha. A personagem principal de “Green Hornet” é tão insuportável que faz do filme um episódio do “My Super Sweet Sixteen” da MTV com duas horas. (Para quem não conhece o programa, é uma mistura de dinheiro, birras e aparecimento de pêlos púbicos, tudo na mesma festa com música má.)
E como se não bastasse uma criança parva no papel principal, acompanham-na de clichés. A sério, uma loira parva e um chinês que sabe artes marciais? O que é “Green Hornet”? Uma má piada que começa “Um puto, uma loira e um chinês entram um filme…” Além do humor de parede de casa de banho, outra coisa que este filme tenta explorar é o poder dos media. Como? Pondo a administração de um jornal diário nas mãos do referido puto irritante. Amigos, o poder dos media não se mede aos palmos, mede-se aos classificados. A verdade é que já ninguém lê jornais. Há mais sem-abrigo a usá-los como cobertor do que empresários a usá-los como leitura de latrina. A informação morreu. Os media já estão para as pessoas como o screen saver está para o meu pc. Os media da sociedade actual são unicamente porteiras com vozes mais irritantes e menos para limpar. E uma coisa é ver más representações. Outra, é ver más representações em 3D. Parece tão, mas tão real que eu juro que se consegue ver na imagem a carreira desta gente a estrebuchar e a morrer. Querem ver isto? Fiquem avisados, “Green Hornet” não é mais que o “Iron Man” na puberdade; um “Batman” com gosto por cores berrantes; ou o “Hulk” depois de fumar uma ganza.
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Thursday, January 27, 2011
Picado vs "O Amor É O Melhor Remédio"
Acho que esta semana descobrimos um bocadinho do que se passa na vida amorosa do Rafael Contra.
Coitadito.
“O Amor É O Melhor Remédio” – …se a doença tiver Copa D
CONTRA PICADO/GF – Vou-vos ser sincero. A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar a jogar Mikado com luvas de boxe nas mãos, a meio de uma sessão de acupunctura com agulhas de farturas enquanto um epiléptico alcoolizado me faz uma vasectomia com talheres de plástico e um militante da JSD me recita o discurso de vitória do Cavaco nas eleições Presidenciais. Em forma de haiku. “O Amor É O Melhor Remédio”? Para quê? Para o mau cinema não será com certeza. Isso cura-se com movimento. De dentro da sala, para fora. O Amor não cura depressões, stress ou solidão. O amor apenas cura noites em que era suposto haver episódio novo do Biggest Loser mas a Sic Mulher resolveu pôr mais um programa do “Querido, Mudei a Casa”. E não cura porque o amor não existe. Pelo menos não nesta sociedade actual. Procuramos mamas pelo Facebook mas queremos chorar com novelas da TVI. Encontramos-nos com pessoas no banco de trás dos carros das mamãs mas depois não gostamos de nos sentir como o relvado do Sporting, usados e abusados.
O amor morreu. Já não é um sentimento. É um serviço. Já não é mágico. É pago e recebido a prestações orais. Chamem-me Medina Carreira da Paixão. Ou Pacheco Pereira da Primavera. Eu não me importo. Mas que a narrativa deste filme não faz sentido, não faz. O conceito de “felizes para sempre” morreu com a internet. Já não é “para sempre” é “até ao próximo convite de amizade que eu aceitar de um mulato da Brandoa”. Se um engatatão conhecesse uma mulher frígida não se apaixonava por ela. Fazia o que os portugueses fizeram às eleições presidenciais: ignorava-a. O que começa por ser meramente físico não acaba emotivo. O que começa meramente físico acaba em sms’s ás 4h da manhã em noites de Bairro Alto. O que é meramente físico acaba em visitas ao Centro de Saúde e em pomadas durante os próximos meses. O sexo é tão fácil e acessível hoje em dia. Devíamos ter raparigas em Monsanto, de mini-saia e top justos que por 25 euros à hora nos abraçavam, passavam a mão pelo cabelo e nos diziam que está tudo bem. Que a verdade é que “as pessoas não percebem as tuas críticas cinematográficas. Não és tu que és bruto, Rafael.” Querem ir ver isto? Mais uma história de amor escrita por americanos? Então força. Há quem goste de Ficção Científica, mesmo.
As seen on O Indesmentível.
Coitadito.
“O Amor É O Melhor Remédio” – …se a doença tiver Copa D
CONTRA PICADO/GF – Vou-vos ser sincero. A sensação que eu tive ao ver este filme foi a mesma de estar a jogar Mikado com luvas de boxe nas mãos, a meio de uma sessão de acupunctura com agulhas de farturas enquanto um epiléptico alcoolizado me faz uma vasectomia com talheres de plástico e um militante da JSD me recita o discurso de vitória do Cavaco nas eleições Presidenciais. Em forma de haiku. “O Amor É O Melhor Remédio”? Para quê? Para o mau cinema não será com certeza. Isso cura-se com movimento. De dentro da sala, para fora. O Amor não cura depressões, stress ou solidão. O amor apenas cura noites em que era suposto haver episódio novo do Biggest Loser mas a Sic Mulher resolveu pôr mais um programa do “Querido, Mudei a Casa”. E não cura porque o amor não existe. Pelo menos não nesta sociedade actual. Procuramos mamas pelo Facebook mas queremos chorar com novelas da TVI. Encontramos-nos com pessoas no banco de trás dos carros das mamãs mas depois não gostamos de nos sentir como o relvado do Sporting, usados e abusados.
O amor morreu. Já não é um sentimento. É um serviço. Já não é mágico. É pago e recebido a prestações orais. Chamem-me Medina Carreira da Paixão. Ou Pacheco Pereira da Primavera. Eu não me importo. Mas que a narrativa deste filme não faz sentido, não faz. O conceito de “felizes para sempre” morreu com a internet. Já não é “para sempre” é “até ao próximo convite de amizade que eu aceitar de um mulato da Brandoa”. Se um engatatão conhecesse uma mulher frígida não se apaixonava por ela. Fazia o que os portugueses fizeram às eleições presidenciais: ignorava-a. O que começa por ser meramente físico não acaba emotivo. O que começa meramente físico acaba em sms’s ás 4h da manhã em noites de Bairro Alto. O que é meramente físico acaba em visitas ao Centro de Saúde e em pomadas durante os próximos meses. O sexo é tão fácil e acessível hoje em dia. Devíamos ter raparigas em Monsanto, de mini-saia e top justos que por 25 euros à hora nos abraçavam, passavam a mão pelo cabelo e nos diziam que está tudo bem. Que a verdade é que “as pessoas não percebem as tuas críticas cinematográficas. Não és tu que és bruto, Rafael.” Querem ir ver isto? Mais uma história de amor escrita por americanos? Então força. Há quem goste de Ficção Científica, mesmo.
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Thursday, January 20, 2011
Picado vs "Outra Vida"
O Rafael Contra andava meio adormecido.
Um misto de puro desalento e nada para fazer na vida.
Mas esta semana voltou à carga. Está chateado e acabou de ver um filme.
O resultado é isto.
“Hereafter – Outra Vida” – …era o que precisava o Clint Eastwood
CONTRA PICADO/GF – Eu vou ser sincero. A sensação que ver este filme me deu foi a mesma de estar a servir de palco da “Operação Triunfo”, preso ao chão por uma cola feita de Chocapic digerido por toda a equipa do Benfica enquanto espero por ser atropelado pelo carro funerário em que faz campanha o candidato Coelho. Ah, isto tudo ouvindo a malta de Cantanhede gritar que o Renato Seabra era bom rapaz porque deixava sempre os outros passarem primeiro nos cruzamentos. A estreia da semana, “Here After – Outra Vida”, é tão inútil e aleatório que faz a campanha do Cavaco Silva parecer matemática aplicada. Mas ao menos vale o esforço. Porque é que um velho decrépito como o Clint Eastwood resolveu falar de morte? Porque lhe tem uma dívida do tamanho da do Sporting ao fisco.
É oficial, Clint Eastwood está senil. O homem já fez filmes sobre amor – quando era jovem – depois fez acção – quando foi adulto – passou para histórias sobre a II Guerra Mundial – quando ficou velho – e agora fala da morte – porque lhe está a bater à porta. Um homem daquele idade não devia fazer cinema, devia estar a trocar fraldas e a jogar ao dominó. O Clint Eastwood é o Manoel de Oliveira sob o efeito de esteroides. E o filme em si não faz sentido. Três visões diferentes sobre a morte: um homem que fala com mortos, uma mulher que quase morreu e uma criança a quem morreu um irmão. Ou seja, um charlatão, uma mulher que morava na Damaia mas que entretanto se mudou e uma criança que devia estar drunfada em Valium. Ouçam, a única coisa que os mortos deixam para trás são heranças, cinzas e espaço para estacionar em centros comerciais. Ninguém quer saber de últimas palavras ou de últimas memórias. Eu dou um exemplo: as últimas palavras da minha avó? “Não carregues nesse botão!”. A última memória que tenho dela? Quando eu liguei o tractor em que mais tarde ela morreu. Querem ver o filme? Levem a urna das cinzas de um parente falecido. Assim pode passar as duas horas a desejar esse lugar na sala.
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Um misto de puro desalento e nada para fazer na vida.
Mas esta semana voltou à carga. Está chateado e acabou de ver um filme.
O resultado é isto.
“Hereafter – Outra Vida” – …era o que precisava o Clint Eastwood
CONTRA PICADO/GF – Eu vou ser sincero. A sensação que ver este filme me deu foi a mesma de estar a servir de palco da “Operação Triunfo”, preso ao chão por uma cola feita de Chocapic digerido por toda a equipa do Benfica enquanto espero por ser atropelado pelo carro funerário em que faz campanha o candidato Coelho. Ah, isto tudo ouvindo a malta de Cantanhede gritar que o Renato Seabra era bom rapaz porque deixava sempre os outros passarem primeiro nos cruzamentos. A estreia da semana, “Here After – Outra Vida”, é tão inútil e aleatório que faz a campanha do Cavaco Silva parecer matemática aplicada. Mas ao menos vale o esforço. Porque é que um velho decrépito como o Clint Eastwood resolveu falar de morte? Porque lhe tem uma dívida do tamanho da do Sporting ao fisco.
É oficial, Clint Eastwood está senil. O homem já fez filmes sobre amor – quando era jovem – depois fez acção – quando foi adulto – passou para histórias sobre a II Guerra Mundial – quando ficou velho – e agora fala da morte – porque lhe está a bater à porta. Um homem daquele idade não devia fazer cinema, devia estar a trocar fraldas e a jogar ao dominó. O Clint Eastwood é o Manoel de Oliveira sob o efeito de esteroides. E o filme em si não faz sentido. Três visões diferentes sobre a morte: um homem que fala com mortos, uma mulher que quase morreu e uma criança a quem morreu um irmão. Ou seja, um charlatão, uma mulher que morava na Damaia mas que entretanto se mudou e uma criança que devia estar drunfada em Valium. Ouçam, a única coisa que os mortos deixam para trás são heranças, cinzas e espaço para estacionar em centros comerciais. Ninguém quer saber de últimas palavras ou de últimas memórias. Eu dou um exemplo: as últimas palavras da minha avó? “Não carregues nesse botão!”. A última memória que tenho dela? Quando eu liguei o tractor em que mais tarde ela morreu. Querem ver o filme? Levem a urna das cinzas de um parente falecido. Assim pode passar as duas horas a desejar esse lugar na sala.
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Thursday, January 13, 2011
Picado vs "Tron"
“TRON: O Legado” – …a afastar pessoas de salões de jogos e de salas de cinema desde 1982
CONTRA PICADO/GF – Alguma vez jogaram Tron? É claro que já jogaram. Tron é um jogo simples em que dois veículos, um contra o outro num espaço fechado, deixam um feixe de luz por onde passam. O objectivo é tão simples como fazer com que o outro choque contra o nosso feixe de luz, fazendo-se uma razia pela frente do adversário. Quem, dos que estão a ler, nunca cortou uma cruva à última da hora? Ou quem, dos que estão a ler, nunca teve de se desviar de um taxista que se meteu à nossa frente? Pois. Porque carga de água vai Hollywood fazer um filme sobre maus condutores? Se era para isso iam ali a Arroios filmar cabo verdianas a terem aulas de condução. E se “Tron” foi um falhanço em 1982, porque é que esta gente acha que resultaria agora? Não vale a pena, senhores. Vão fazer mais blockbusters sobre referências dos anos 80, é? Uma comédia sobre um blusão ganga com gola de pêlo de carneiro? Um musical sobre as Doce? Um filme de terror em que o vilão é um par de meias brancas com raquete?
E o pior é que “Tron” tenta ser um filme sobre a dualidade “mundo real vs mundo virtual”, mas tal como a Cláudia Vieria quando tem de ler um teleponto, também o filme falha estupidamente. Se nós entrassemos dentro dos nossos computadores não viamos joguinhos de video e motas sofredoras de tunning. Viamos e-mails de trabalho, páginas de Facebook e pornografia escondida. Pobre Sam Flynn que tem de entrar num video jogo para reencontrar o pai que anda perdido. A mim nunca me aconteceu ter de jogar horas de Pac-Man ou Space Invaders para saber onde está o meu progenitor. Basta-me descobrir a tasca mais próxima com Sporttv. Fiquem sabendo que ver este filme é a mesma coisa que acompanhar um episódio da falecida série “Riscos” da RTP. Tudo é mau, falso, desactualizado e usam-se peanteados demasiado ridículos.
Como conselho da semana trago-vos “Sardinha”, um documentário eslavo de Popa Clavi, uma mulher de 78 anos que tem fobia a pessoas que limpam as fossas nasais em público. Aos 8 anos de idade Popa jogava à sardinha com o seu Pai no quintal quando este foi atingido numa têmpora por um Pombo desenfreado e kamikaze. Morreu no local. Desde esse dia, Popa tem-se filmado por diversos locais do mundo, jogando à sardinha com toda a gente com quem se cruza. Popa só pára para impedir idosos de alimentarem pombos com migalhas. Não percam este belo pedaço de saudade, amor, tristeza e ódio a pássaros urbanos."
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CONTRA PICADO/GF – Alguma vez jogaram Tron? É claro que já jogaram. Tron é um jogo simples em que dois veículos, um contra o outro num espaço fechado, deixam um feixe de luz por onde passam. O objectivo é tão simples como fazer com que o outro choque contra o nosso feixe de luz, fazendo-se uma razia pela frente do adversário. Quem, dos que estão a ler, nunca cortou uma cruva à última da hora? Ou quem, dos que estão a ler, nunca teve de se desviar de um taxista que se meteu à nossa frente? Pois. Porque carga de água vai Hollywood fazer um filme sobre maus condutores? Se era para isso iam ali a Arroios filmar cabo verdianas a terem aulas de condução. E se “Tron” foi um falhanço em 1982, porque é que esta gente acha que resultaria agora? Não vale a pena, senhores. Vão fazer mais blockbusters sobre referências dos anos 80, é? Uma comédia sobre um blusão ganga com gola de pêlo de carneiro? Um musical sobre as Doce? Um filme de terror em que o vilão é um par de meias brancas com raquete?
E o pior é que “Tron” tenta ser um filme sobre a dualidade “mundo real vs mundo virtual”, mas tal como a Cláudia Vieria quando tem de ler um teleponto, também o filme falha estupidamente. Se nós entrassemos dentro dos nossos computadores não viamos joguinhos de video e motas sofredoras de tunning. Viamos e-mails de trabalho, páginas de Facebook e pornografia escondida. Pobre Sam Flynn que tem de entrar num video jogo para reencontrar o pai que anda perdido. A mim nunca me aconteceu ter de jogar horas de Pac-Man ou Space Invaders para saber onde está o meu progenitor. Basta-me descobrir a tasca mais próxima com Sporttv. Fiquem sabendo que ver este filme é a mesma coisa que acompanhar um episódio da falecida série “Riscos” da RTP. Tudo é mau, falso, desactualizado e usam-se peanteados demasiado ridículos.
Como conselho da semana trago-vos “Sardinha”, um documentário eslavo de Popa Clavi, uma mulher de 78 anos que tem fobia a pessoas que limpam as fossas nasais em público. Aos 8 anos de idade Popa jogava à sardinha com o seu Pai no quintal quando este foi atingido numa têmpora por um Pombo desenfreado e kamikaze. Morreu no local. Desde esse dia, Popa tem-se filmado por diversos locais do mundo, jogando à sardinha com toda a gente com quem se cruza. Popa só pára para impedir idosos de alimentarem pombos com migalhas. Não percam este belo pedaço de saudade, amor, tristeza e ódio a pássaros urbanos."
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Thursday, January 06, 2011
Picado vs "O Turista"
“O Turista” – …é daqueles que levam as toalhas do Hotel
CONTRA PICADO/GF – Uma adivinha: quem é que usa meia branca com chinelos, anda sempre vestido ao contrario da estação em que estamos e não se percebe o que diz? Não, não é o Alberto João Jardim. É um turista. Então, porque raio quererá Hollywood fazer um filme sobre um? Turistas não são um bom tema para filmes. Há uma regra de ouro no cinema para coisas que não se devem filmar: crianças, bebés e turistas, porque no fundo, os turistas são bébés que se portam como animais. Ainda por cima, a personagem principal deste filme é um turista Americano. São os piores. Fazem barulho e nunca gostam da comida. Já que tinham de usar turistas, que fosse um chinês porque esses ao menos andam calados e gastam dinheiro. É chato é andarem sempre em grupos de 780. Para piorar a situação, o filme é passado em Itália, um sítio onde se deveria estar a comer massa, a beber vinho e a ver belas mulheres, não era aos tiros a portas de Hotel. É uma pouca vergonha. Ainda por cima porque uma porta de Hotel é quase tão inofensiva como um GNR.
Ao menos sigam a lógica da coisa. Se o herói é um turista, o vilão tem de, obrigatoriamente, ser um taxista. Já não há cuidado narrativo. Mas pronto, se querem ver o filme, fiquem sabendo que a história é sobre o engano de um homem que vai atrás dos belos olhos da Angelina na esperança de coisa boa, e afinal é um estratagema de espionagem. É basicamente uma metáfora para o que se passa com o espectador. Ao ver os belos olhos da Angelina julga que vai a alguma coisa boa e afinal não, é só este filme. Que é bem pior e mais perigoso que qualquer estratagema de espionagem.
Como conselho cinematográfico desta semana, e já que estamos na temática do turismo, aconselho-vos “Say Cheeeese”, um documentário em stop motion sobre a futilidade e ignorância da nossa juventude perante a cultura em geral e as estátuas com pilas à mostra em particular. Numa projecção de 23 horas seguidas, veja em sequência todos os 83 milhões de fotografias algumas vez tiradas ao lado da Torre de Pisa, com a mãozinha esticada a fingir que se está a segurar a torre.
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CONTRA PICADO/GF – Uma adivinha: quem é que usa meia branca com chinelos, anda sempre vestido ao contrario da estação em que estamos e não se percebe o que diz? Não, não é o Alberto João Jardim. É um turista. Então, porque raio quererá Hollywood fazer um filme sobre um? Turistas não são um bom tema para filmes. Há uma regra de ouro no cinema para coisas que não se devem filmar: crianças, bebés e turistas, porque no fundo, os turistas são bébés que se portam como animais. Ainda por cima, a personagem principal deste filme é um turista Americano. São os piores. Fazem barulho e nunca gostam da comida. Já que tinham de usar turistas, que fosse um chinês porque esses ao menos andam calados e gastam dinheiro. É chato é andarem sempre em grupos de 780. Para piorar a situação, o filme é passado em Itália, um sítio onde se deveria estar a comer massa, a beber vinho e a ver belas mulheres, não era aos tiros a portas de Hotel. É uma pouca vergonha. Ainda por cima porque uma porta de Hotel é quase tão inofensiva como um GNR.
Ao menos sigam a lógica da coisa. Se o herói é um turista, o vilão tem de, obrigatoriamente, ser um taxista. Já não há cuidado narrativo. Mas pronto, se querem ver o filme, fiquem sabendo que a história é sobre o engano de um homem que vai atrás dos belos olhos da Angelina na esperança de coisa boa, e afinal é um estratagema de espionagem. É basicamente uma metáfora para o que se passa com o espectador. Ao ver os belos olhos da Angelina julga que vai a alguma coisa boa e afinal não, é só este filme. Que é bem pior e mais perigoso que qualquer estratagema de espionagem.
Como conselho cinematográfico desta semana, e já que estamos na temática do turismo, aconselho-vos “Say Cheeeese”, um documentário em stop motion sobre a futilidade e ignorância da nossa juventude perante a cultura em geral e as estátuas com pilas à mostra em particular. Numa projecção de 23 horas seguidas, veja em sequência todos os 83 milhões de fotografias algumas vez tiradas ao lado da Torre de Pisa, com a mãozinha esticada a fingir que se está a segurar a torre.
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Thursday, December 23, 2010
Picado vs "Não Há Família Pior!"
“Não Há Família Pior!” – …ou que me faça ainda mais querer ser órfão
CONTRA PICADO/GF – O Tolstoy um dia disse que “não há famílias felizes”. Eu sempre duvidei. Já tinha comido em restaurantes chineses em que o menu me dizia o contrário. Mas depois vi este filme. E afinal não há. E se houverem, estão neste momento a dar cabo da sua felicidade ao irem ver o filme ao cinema juntos. Há várias coisas que destroem uma família: mortes, divórcios e a pior de todas, o Natal. As famílias são as empresas de onde não nos podemos despedir. São os clubes onde temos cartão de sócio vitalício. São doenças para as quais não há cura. Por muito que se procure, em laboratórios ou em programas da Sic Mulher. E o Natal é a pior altura de todas, porque as famílias são como claques de futebol. Os adeptos ferrenhos sozinhos são suportáveis, mas quando se juntam são insuportável.
“Não Há Família Pior” é a pior ideia de todas para um filme de Natal. Se por acaso alguém sair de casa para ir ao cinema nos próximos dias, não é pelo filme. É porque quer fugir de crianças que berram, velhos que se repetem e adultos que se lamentam. Entrar numa sala e ver os meus maiores ódios no ecrã é algo que eu dispenso. Ver este filme agora é como comer frango de caril durante uma paragem de digestão. Ou pôr um doente em coma, a dormir uma sestinha.
Gostam do Natal? Então o meu conselho cinematográfico para esta semana chama-se “Wrap it up!”. Durante 5 meses, John Classor, um tratador do Zoológico de Los Angeles, resolveu gravar vários animais, de várias espécies, a tentarem embrulharem as suas prendas de Natal. Delicie-se com este tratado anti-capitalismo desmedido, enquanto Lobos tentam embrulhar um par de ténis, uma manada de Gnus tentam embrulhar um dvd do “2012” e um Tigre engole um par de brincos caríssimos que John ia dar à sua mulher. (Nota complementar: John está hoje em dia desempregado e divorciado.)
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CONTRA PICADO/GF – O Tolstoy um dia disse que “não há famílias felizes”. Eu sempre duvidei. Já tinha comido em restaurantes chineses em que o menu me dizia o contrário. Mas depois vi este filme. E afinal não há. E se houverem, estão neste momento a dar cabo da sua felicidade ao irem ver o filme ao cinema juntos. Há várias coisas que destroem uma família: mortes, divórcios e a pior de todas, o Natal. As famílias são as empresas de onde não nos podemos despedir. São os clubes onde temos cartão de sócio vitalício. São doenças para as quais não há cura. Por muito que se procure, em laboratórios ou em programas da Sic Mulher. E o Natal é a pior altura de todas, porque as famílias são como claques de futebol. Os adeptos ferrenhos sozinhos são suportáveis, mas quando se juntam são insuportável.
“Não Há Família Pior” é a pior ideia de todas para um filme de Natal. Se por acaso alguém sair de casa para ir ao cinema nos próximos dias, não é pelo filme. É porque quer fugir de crianças que berram, velhos que se repetem e adultos que se lamentam. Entrar numa sala e ver os meus maiores ódios no ecrã é algo que eu dispenso. Ver este filme agora é como comer frango de caril durante uma paragem de digestão. Ou pôr um doente em coma, a dormir uma sestinha.
Gostam do Natal? Então o meu conselho cinematográfico para esta semana chama-se “Wrap it up!”. Durante 5 meses, John Classor, um tratador do Zoológico de Los Angeles, resolveu gravar vários animais, de várias espécies, a tentarem embrulharem as suas prendas de Natal. Delicie-se com este tratado anti-capitalismo desmedido, enquanto Lobos tentam embrulhar um par de ténis, uma manada de Gnus tentam embrulhar um dvd do “2012” e um Tigre engole um par de brincos caríssimos que John ia dar à sua mulher. (Nota complementar: John está hoje em dia desempregado e divorciado.)
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Thursday, December 16, 2010
Picado vs "Stone: Ninguém É Inocente"
“Stone: Ninguém É Inocente” – … principalmente se comprar bilhete para isto
CONTRA PICADO/GF – Costuma dizer-se que a prisão foi feita para tirar as duas coisas que mais importam a um homem: a sua liberdade e mulheres. Depois desta estreia, podem juntar o “gosto pelo cinema” a esta lista. Eu nunca estive preso. Gosto de acreditar que quem lá está, é porque merece estar. Ou porque trabalha lá. Ou então porque entrou por engano no edifício porque julgou que era uma escola secundária da margem sul. Por isso tenho de confessar que não me identifico muito com o tema do filme. A única vez que saí de uma prisão, tinha um pedaço de papel na mão que dizia “get out of jail free card” e um tabuleiro do Monopólio à frente. E curiosamente, um jogo de Monopólio na minha família acabava sempre como uma sessão deste filme: comigo aos berros, a insultar quem inventou aquilo.
“Stone: Ninguém É Inocente” é sobre um incendiário que usa a sua própria mulher para seduzir um chefão, de modo a sair da prisão. Faz sentido que este homem use a sua mulher porque os prisioneiros depois de cumprirem pena querem é chuveiros, sabonetes e matulões com diversas tatuagens. E as mulheres usam sexo para não pagar multas de trânsito, para conseguirem bebidas grátis em discotecas e para se aquecerem no Inverno. Os homens usam o sexo para terem tema de conversa com os amigos. Não o fazem para sair de espaços apertados. O que a personagem principal devia fazer para sair da prisão era o que eu tentei fazer durante as duas horas de filme: um buraco pelo chão, com uma colher de sobremesa.
O meu conselho cinematográfico desta semana incide sobre um mágico escapista chamado Serguei Espapakov, um lituano de 57 anos que é intolerante à lactose. Num documentário chamado “Puff!” de 8 horas e 15 minutos, Serguei usa os seus poderes para se evadir telepaticamente dos locais mais remotos e estranhos do planeta. Acompanhe Serguei enquanto este escapa de uma máquina de lavar em queda livre pelo Grand Canyon, um frigorífico no fundo do Mar Negro ou de forno a gás de 5 bicos que é arrastado por 87 cavalos de corrida pela A1, sentido Lisboa-Porto.
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CONTRA PICADO/GF – Costuma dizer-se que a prisão foi feita para tirar as duas coisas que mais importam a um homem: a sua liberdade e mulheres. Depois desta estreia, podem juntar o “gosto pelo cinema” a esta lista. Eu nunca estive preso. Gosto de acreditar que quem lá está, é porque merece estar. Ou porque trabalha lá. Ou então porque entrou por engano no edifício porque julgou que era uma escola secundária da margem sul. Por isso tenho de confessar que não me identifico muito com o tema do filme. A única vez que saí de uma prisão, tinha um pedaço de papel na mão que dizia “get out of jail free card” e um tabuleiro do Monopólio à frente. E curiosamente, um jogo de Monopólio na minha família acabava sempre como uma sessão deste filme: comigo aos berros, a insultar quem inventou aquilo.
“Stone: Ninguém É Inocente” é sobre um incendiário que usa a sua própria mulher para seduzir um chefão, de modo a sair da prisão. Faz sentido que este homem use a sua mulher porque os prisioneiros depois de cumprirem pena querem é chuveiros, sabonetes e matulões com diversas tatuagens. E as mulheres usam sexo para não pagar multas de trânsito, para conseguirem bebidas grátis em discotecas e para se aquecerem no Inverno. Os homens usam o sexo para terem tema de conversa com os amigos. Não o fazem para sair de espaços apertados. O que a personagem principal devia fazer para sair da prisão era o que eu tentei fazer durante as duas horas de filme: um buraco pelo chão, com uma colher de sobremesa.
O meu conselho cinematográfico desta semana incide sobre um mágico escapista chamado Serguei Espapakov, um lituano de 57 anos que é intolerante à lactose. Num documentário chamado “Puff!” de 8 horas e 15 minutos, Serguei usa os seus poderes para se evadir telepaticamente dos locais mais remotos e estranhos do planeta. Acompanhe Serguei enquanto este escapa de uma máquina de lavar em queda livre pelo Grand Canyon, um frigorífico no fundo do Mar Negro ou de forno a gás de 5 bicos que é arrastado por 87 cavalos de corrida pela A1, sentido Lisboa-Porto.
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Thursday, December 09, 2010
Picado vs "As Crónicas de Narnia: A Viagem Do Caminhante da Alvorada""
“As Crónicas De Narnia: A Viagem Do Caminhante Da Alvorada” – …*pausa aqui para respirar*
CONTRA PICADO/GF – O que é que se pode encontrar dentro de um armário? Roupa velha. Daquele que só treinadores de futebol da segunda liga têm coragem de usar em flash interviews. Ou pode-se encontrar também tralha antiga, daquela que se vende na feira da ladra. Ou que a Joana Vasconselos gosta de colar com UHU e dizer que é “arte”. Às vezes, e pelo menos em alguns filmes pornográficos já vi acontecer, até se encontram homens semi-despidos a esconderem-se de maridos violentos. Algo que eu não sabia que se podia encontrar dentro de um armário era droga – pelo menos fora do armário do José Carlos Pereira.
Claramente foi o que esta gente encontrou, snifou e curtiu, porque um mundo mítico onde leões falam e se entra pela porta de um armário é algo que eu não espero ver em mobiliário do IKEA, mas sim no Bairro Alto depois de algumas horas de drogas leves, duras ou legais. “As Crónicas De Narnia” não são histórias para crianças, são trips de heroína. E sendo que este é o terceiro filme a sair para o cinema, já se pode dizer que os criadores não estão a “experimentar”, já estão mesmo “agarrados”. Não se entrava e saia tanto de um armário desde que o Manuel Luis Goucha apareceu na televisão portuguesa. Mas pronto, se gostam mesmo de visitar sítos estranhos, frequentados por pessoas esquisitas e que sejam de díficil acesso, experimentem a Brandoa. Depois sim, ponham-se a brincar com armários.
Esta semana, como conselho cinematográfico, aconselho algo inédito: um anúncio. Em 2002, uma marca de mobiliário sediada na Guiné Conakry quis provar a todos os seus clientes que os seus movies eram fáceis de montar, e que as acusações de “morte por acidente” com produtos seus eram totalmente errónias. Assim sendo, produziram um anúncio de 4 minutos e meio em que 4 bonobos tentam montar uma escrivaninha, isto quando não estão a fornicar-se uns aos outros.
As seen on O Indesmentível.
CONTRA PICADO/GF – O que é que se pode encontrar dentro de um armário? Roupa velha. Daquele que só treinadores de futebol da segunda liga têm coragem de usar em flash interviews. Ou pode-se encontrar também tralha antiga, daquela que se vende na feira da ladra. Ou que a Joana Vasconselos gosta de colar com UHU e dizer que é “arte”. Às vezes, e pelo menos em alguns filmes pornográficos já vi acontecer, até se encontram homens semi-despidos a esconderem-se de maridos violentos. Algo que eu não sabia que se podia encontrar dentro de um armário era droga – pelo menos fora do armário do José Carlos Pereira.
Claramente foi o que esta gente encontrou, snifou e curtiu, porque um mundo mítico onde leões falam e se entra pela porta de um armário é algo que eu não espero ver em mobiliário do IKEA, mas sim no Bairro Alto depois de algumas horas de drogas leves, duras ou legais. “As Crónicas De Narnia” não são histórias para crianças, são trips de heroína. E sendo que este é o terceiro filme a sair para o cinema, já se pode dizer que os criadores não estão a “experimentar”, já estão mesmo “agarrados”. Não se entrava e saia tanto de um armário desde que o Manuel Luis Goucha apareceu na televisão portuguesa. Mas pronto, se gostam mesmo de visitar sítos estranhos, frequentados por pessoas esquisitas e que sejam de díficil acesso, experimentem a Brandoa. Depois sim, ponham-se a brincar com armários.
Esta semana, como conselho cinematográfico, aconselho algo inédito: um anúncio. Em 2002, uma marca de mobiliário sediada na Guiné Conakry quis provar a todos os seus clientes que os seus movies eram fáceis de montar, e que as acusações de “morte por acidente” com produtos seus eram totalmente errónias. Assim sendo, produziram um anúncio de 4 minutos e meio em que 4 bonobos tentam montar uma escrivaninha, isto quando não estão a fornicar-se uns aos outros.
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Thursday, December 02, 2010
Picado vs "A Tempo E Horas"
“A Tempo E Horas” – … mas não desta sessão, por favor
CONTRA PICADO/GF – Ninguém dá boleia a ninguém. É perigoso. É desconfortável. E em alguns casos, porco. Quem dá boleia são taxistas, freiras e violadores. E já me estou a repetir. Pessoas normais não dão boleia. Dão trocos para o bilhete de metro. “Dar uma boleia” é um acto de prostituição geográfica. É que não tem nada a haver com bondade. Escrevam o que eu vos digo: quando um desconhecido entra no carro de alguém, 90% das vezes e prostituição, 10% das vezes é a Policia a levar alguém para a esquadra. Sou veementemente contra o conceito da “boleia”, seja em carros, elevadores e muito menos naquelas bicicletas com dois celins. É que nem sinto necessidade de me explicar. Até pelo preço a que está a gasolina. E os produtos de limpeza de interiores de automóveis. Já olharam à vossa volta durante um engarrafamento? As pessoas fazem dentro do próprio carro tudo aquilo que fariam numa casa de banho, mas de gravata posta. Tiram macacos, peidam-se, maquilham-se, lêem o jornal e, pior ainda para a saúde nacional, descalçam-se.
“A Tempo E Horas” falha imediatamente na sua premissa. E é facilmente resumido: um arquitecto chato e sisudo precisa de chegar ao outro lado dos EUA a tempo do nascimento do seu filho. Quem lhe oferece boleia? Um ser homem sinistro que entre outras coisas, lhe dá um tiro. O que faz sentido aqui? Nada. A não ser o facto de um americano dar um tiro a alguém. No país mais paranóico e inseguro do mundo ninguém dá boleia a ninguém. É como a pior viagem de elevador que já tiveram, durante muito mais tempo. Mas não me estranha que vocês queiram ir ver o filme. A única coisa que eu espero, pela saúde mental de todos os portugueses que queiram ir ver o filme, é que honrem o seu ADN de “tuga” e cheguem tudo menos a tempo e horas da sessão.
O meu conselho para esta semana não é um documentário, como se tem vindo a tornar meu apanágio. Esta semana aconselho-vos um vídeo educacional coreano onde Pong To Ka-Long explica, em 64 fáceis lições, como podem tratar da vossa higiene pessoal enquanto se dirigem para o trabalho, no vosso carro. Durante 17 divertidas horas, aprendam com Ka-Long como podem improvisar cotonetes com um colete reflector, lavar os dentes com a escova do pára-brisas ou espremer borbulhas com o aparelho de GPS, tudo com exemplos práticos e filmados com zoom’s.
As seen on O Indesmentível.
CONTRA PICADO/GF – Ninguém dá boleia a ninguém. É perigoso. É desconfortável. E em alguns casos, porco. Quem dá boleia são taxistas, freiras e violadores. E já me estou a repetir. Pessoas normais não dão boleia. Dão trocos para o bilhete de metro. “Dar uma boleia” é um acto de prostituição geográfica. É que não tem nada a haver com bondade. Escrevam o que eu vos digo: quando um desconhecido entra no carro de alguém, 90% das vezes e prostituição, 10% das vezes é a Policia a levar alguém para a esquadra. Sou veementemente contra o conceito da “boleia”, seja em carros, elevadores e muito menos naquelas bicicletas com dois celins. É que nem sinto necessidade de me explicar. Até pelo preço a que está a gasolina. E os produtos de limpeza de interiores de automóveis. Já olharam à vossa volta durante um engarrafamento? As pessoas fazem dentro do próprio carro tudo aquilo que fariam numa casa de banho, mas de gravata posta. Tiram macacos, peidam-se, maquilham-se, lêem o jornal e, pior ainda para a saúde nacional, descalçam-se.
“A Tempo E Horas” falha imediatamente na sua premissa. E é facilmente resumido: um arquitecto chato e sisudo precisa de chegar ao outro lado dos EUA a tempo do nascimento do seu filho. Quem lhe oferece boleia? Um ser homem sinistro que entre outras coisas, lhe dá um tiro. O que faz sentido aqui? Nada. A não ser o facto de um americano dar um tiro a alguém. No país mais paranóico e inseguro do mundo ninguém dá boleia a ninguém. É como a pior viagem de elevador que já tiveram, durante muito mais tempo. Mas não me estranha que vocês queiram ir ver o filme. A única coisa que eu espero, pela saúde mental de todos os portugueses que queiram ir ver o filme, é que honrem o seu ADN de “tuga” e cheguem tudo menos a tempo e horas da sessão.
O meu conselho para esta semana não é um documentário, como se tem vindo a tornar meu apanágio. Esta semana aconselho-vos um vídeo educacional coreano onde Pong To Ka-Long explica, em 64 fáceis lições, como podem tratar da vossa higiene pessoal enquanto se dirigem para o trabalho, no vosso carro. Durante 17 divertidas horas, aprendam com Ka-Long como podem improvisar cotonetes com um colete reflector, lavar os dentes com a escova do pára-brisas ou espremer borbulhas com o aparelho de GPS, tudo com exemplos práticos e filmados com zoom’s.
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Thursday, November 25, 2010
Picado vs "Imparável"
“Imparável” – …mas só até se sair da sala
CONTRA PICADO/GF – Um comboio perigoso? Pessoas em risco? Um clima de suspense e acção? Não, isto não o filme “Imparável”, a estreia da semana. É uma simples e rápida viagem de comboio pela nossa linha de sintra, à hora do almoço. Mais do que químicos em risco de explodir, a linha de sintra tem subúrbios, pessoas deprimidas, um clima de conflito latente e o pior de todos os vilões na história da humanidade. O “pica”. Este filme é totalmente inconsequente. Ninguém gosta, se importa ou quer saber de comboios. As únicas pessoas que lhes dão atenção são estranhas, virgens e têm a mania de os coleccionar em miniatura. E se o “embrulho” não presta, atentem no “recheio narrativo”: Um estagiário é contratado para trabalhar num comboio a abarrotar de resíduos químicos no dia em que este fica descontrolado e põe em risco uma cidade inteira. Tenho alguma compaixão por este protagonista. Não só pode perder a carne que tem agarrada aos ossos devido a químicos potentes e letais como, ainda pior, está a recibos verdes. Uma vergonha.
Mas se acham que isto é a pior coisa que lhe vai acontecer, eis que aparece Denzel Washington na imagem. Aí sim, queremos deitar-nos nos carris de uma estação ferroviária, fumar um cigarro e fechar os olhos. Infelizmente, tenho a teoria que este filme só estreou por pressões do PS e do Governo. Ninguém gosta de comboios e como tal, tentar fazer-se com que um pareça “cool” é uma acção de propaganda triste e envergonhada de alguém que quer, à força toda, construir um. Esquecem-se é que entre poceirão e caia vão apenas alguns quilómetros. Não dá sequer para meter uma segunda no TGV.
Como conselho cinematográfico desta semana quero manter-me dentro do comboio. Em 2002, Chris Alterwood, um limpa chaminés que sofria de asma crónico, teve uma ideia para um documentário. Deprimido e irritado com a sua falta de pontaria em latrinas de comboios em andamento, Alterwood resolveu instalar uma câmara oculta na casa de banho dos homens de um comboio de alta velocidade. Durante 4 horas, veja vários homens tentarem urinar directamente para uma sanita, enquanto os solavancos da viagem os fazem tabelar pelas paredes, espalhando tudo, por todo o lado. O filme chama-se “Sprinkler”.
As seen on O Indesmentível.
CONTRA PICADO/GF – Um comboio perigoso? Pessoas em risco? Um clima de suspense e acção? Não, isto não o filme “Imparável”, a estreia da semana. É uma simples e rápida viagem de comboio pela nossa linha de sintra, à hora do almoço. Mais do que químicos em risco de explodir, a linha de sintra tem subúrbios, pessoas deprimidas, um clima de conflito latente e o pior de todos os vilões na história da humanidade. O “pica”. Este filme é totalmente inconsequente. Ninguém gosta, se importa ou quer saber de comboios. As únicas pessoas que lhes dão atenção são estranhas, virgens e têm a mania de os coleccionar em miniatura. E se o “embrulho” não presta, atentem no “recheio narrativo”: Um estagiário é contratado para trabalhar num comboio a abarrotar de resíduos químicos no dia em que este fica descontrolado e põe em risco uma cidade inteira. Tenho alguma compaixão por este protagonista. Não só pode perder a carne que tem agarrada aos ossos devido a químicos potentes e letais como, ainda pior, está a recibos verdes. Uma vergonha.
Mas se acham que isto é a pior coisa que lhe vai acontecer, eis que aparece Denzel Washington na imagem. Aí sim, queremos deitar-nos nos carris de uma estação ferroviária, fumar um cigarro e fechar os olhos. Infelizmente, tenho a teoria que este filme só estreou por pressões do PS e do Governo. Ninguém gosta de comboios e como tal, tentar fazer-se com que um pareça “cool” é uma acção de propaganda triste e envergonhada de alguém que quer, à força toda, construir um. Esquecem-se é que entre poceirão e caia vão apenas alguns quilómetros. Não dá sequer para meter uma segunda no TGV.
Como conselho cinematográfico desta semana quero manter-me dentro do comboio. Em 2002, Chris Alterwood, um limpa chaminés que sofria de asma crónico, teve uma ideia para um documentário. Deprimido e irritado com a sua falta de pontaria em latrinas de comboios em andamento, Alterwood resolveu instalar uma câmara oculta na casa de banho dos homens de um comboio de alta velocidade. Durante 4 horas, veja vários homens tentarem urinar directamente para uma sanita, enquanto os solavancos da viagem os fazem tabelar pelas paredes, espalhando tudo, por todo o lado. O filme chama-se “Sprinkler”.
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