Friday, October 16, 2009

O meu telefone toca

(Escrito há três dias atrás...)

O meu telefone toca. Vibra. Avisa que recebeu uma mensagem escrita. O que acontece depois? O caraças do caos.

Aquele som repetitivo do telemóvel faz mover, a custo, roldanas repletas de teias de aranha, um mecanismo gigantesco, velho e enferrujado, que se engrena com sons e movimentos em acelerarão. Primeiro pensamento? - Deixa de ser parvo, não é ela.

Não pode ser ela. Não é ela. Esquece. Não é. Porque haveria de ser? Ela tem mais que fazer. Tem uma vida. Trabalho. Obrigações que a impedem de estar de telemóvel na mão. Muito menos a pensar em ti. A escrever para ti. Só tu é que não tens nada para fazer, passas o dia ao pc e para te ocupares, divagas sobre merdas que não existem. Que não fazem sentido. Não é ela.

Depois de me insultar e repreender, ganho uma coragem falsa e cínica e pego no telefone. Quero ver a porra da mensagem. Que não seja ela, então. E não é.

Agora, tenho a razão. Ou pelo menos a parte de mim que gosta de se fazer de forte e pragmática tem razão. Tenho a razão mas não tenho o que queria. Queria que fosse ela. Nesta altura fico como os heróis dos desenhos animados, entre duas paredes que lentamente se fecham sobre mim. De um lado: ainda bem que não é ela, cresce e aparece. Esquece essa merda. Faz algo de útil e produtivo com a tua vida. Deixa de ser parvo. Ninguém gosta de pessoas fracas e inseguras. Ninguém gosta de pessoas que acham que estão apaixonadas. Do outro: porque raio não é ela?!

Segue-se o pior. O telefone tocou. Não era ela. E num pré-esmagamento entre duas paredes, começas a pensar o pior. E se lhe mandasse eu uma sms? Nesta altura, percebes que és, além de parvo e parvo, também parvo. E fraco. E chato. E que ninguém gosta de pessoas que acham que estão apaixonadas. Isto é problema meu. Muito menos dela. Ela não quer saber. Senão tinha sido ela. Não foi ela.

Mandar essa mensagem seria o equivalente técnico a cortar os meus próprios testículos, embalá-los numa caixinha e mandá-los pelo correio. Eu quero ficar com eles, não quero? Ou ainda mais importante, será que ainda os tenho?

Os telemóveis tinham como obrigação aproximar as pessoas. O tanas. Não só nos afastam ainda mais uns dos outros, como de nós próprios. Foi aquele som repetitivo, que me avisou que recebi uma mensagem escrita, que me pôs a discutir comigo próprio.

Aprende a desligar. Não, não é o telemóvel. A cabeça. Aprende a desligá-la ou vais discutir contigo próprio. Não é ela. Não. É. Ela.

Aprende que ninguém gosta de pessoas que acham que estão apaixonadas.

3 comments:

cris said...

O melhor nessas alturas é sair de casa e fazer algo que te ocupe a mente tipo cinema ou ires a um museu qualquer só porque sim ;)

Tracey said...

sair de casa, beber, sair com amigos. também acho =)

susana said...

Vi-me na mesma situação, exactamente na mesma situação, e não é nada fácil! Porque mesmo que nos digam que acabou, ainda existe uma ligação que para nós ainda não quebrou...
Odeio falar nisto! Não ligues e não liguem! Obrigada =)